CASA DA GANGORRA

(Homenagem a Afonso Davi de Menezes)
Se hoje ninguém mais te quer
Nem mesmo fazer visita,
Não te sintas desprezada
Minha doce Gangorrita,
Pois saiba que em pensamento
Vivo em ti cada momento –
Junta a ti minh’alma habita.

Se te dão ressentimento
As paredes descaiadas,
As telhas desmanteladas
E o velho madeiramento,
Não nutras o sentimento
De se achar não mais querida,
Pois nunca foste esquecida
Deste que te levantou;
Porém, igualmente, estou
Nos dias velhos da vida.

Se não te mando pintar
Novamente a alva cor,
Não é por ser displicente
Mas por me faltar vigor.
Igualmente a ti sofro eu
Por te ter o mesmo amor.

Não liga às trancadas portas
E às janelas encerradas.
Esquece as noites geladas;
Te livra das coisas mortas!
Pensa no que te confortas:
Lembra as crianças correndo,
Vê no alpendre, florescendo,
As gerações que pariste,
Pois após a noite existe
Sempre um dia amanhecendo.

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