O BOI MORRE-NÃO-MORRE

Um romance contemporâneo do ciclo do gado do Cordel, uma elegia à seca, uma fábula que retrata a morte e o renascer da vida na caatinga. O “Boi Morre-Não-Morre e os primeiros folhetos” traz a história dum boi moribundo que luta para permanecer vivo no sertão esturricado, assolado por uma sequência de estiagens severas. Abandonado num curral, vendo a cacimba secar, o bicho é obrigado a desabar pela mata cinza em busca duma fonte d’água a restaurar sua sustança. Nesta jornada se depara com a morte, com o desespero da fome, com a vida latente catingueira e testemunha o belíssimo fenômeno do renascer da fauna e flora na caatinga. Além deste poema, o livro traz os três primeiros folhetos do autor revisados.

Queima o sol sua brasa de matar,
Oprimindo, inclemente, causticante,
Sua espada de brilho rutilante
Golpeando, letal, a castigar.
Vendo a vida na terra evaporar,
O Boi, magro de fome e de esperança,
Sem ter vestígio d’água na lembrança,
Resolveu sua fuga empreender
Para o solo rachado percorrer,
A fim de resgatar sua sustança.

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